Bem, para mim o Java One Brazil começou um pouco mais cedo.
No sábado, 04 de dezembro, chegaram em Fortaleza Arun Gupta e Alexandra Ham especialmente para participar de um Café com Tapioca especial.

Café com Tapioca especial com Arun Gupta
Como trabalho em uma multinacional e tenho contato diário com pessoas de todos os lugares do mundo, me ofereci para fazer a “tradução simultânea” de suas palestras. O termo está entre aspas por que, na verdade, eu esperava que os palestrantes concluíssem um pensamento e depois o retransmitia para a plateia (de trás pra frente, na maior parte das vezes, para não esquecer nenhum detalhe). Posso afirmar, com absoluta segurança, que aqueles que deixaram de ir à praia (morram de inveja, paulistas :p ) e compareceram ao Instituto Atlântico naquela manhã de domingo foram privilegiados por conhecer estas duas pessoas e receber o que eles vieram trazer e tiveram a oportunidade de provar um pouquinho do que viria a ser o Java One na semana seguinte.

Alexandra talking to the audience
Arun, blogueiro, tuiteiro, “o cara do Glassfish”, como está em seu cartão de visitas, é um excelente palestrante, um evangelista Java de fato. Em sua palestra ele abordou algumas novidades das novas versões (algumas ainda no forno) do Java EE e do Glassfish, inclusive, mostrou código rodando e sendo instalado no servidor de forma automática e, o que é mais saboroso, sem dor para os usuários.
Os slides e fotos de sua palestra estão disponíveis em seu blog e aqui:
http://blogs.sun.com/arungupta/entry/cejug_fortaleza_2010_trip_report
Coisas que eu já deveria ter começado a fuçar:
Ainda bem que eu comecei a usar J2EE em 2004. Imaginem o quanto eu ficaria mal-acostumado se tivesse começado hoje, com tanta facilidade, com anotações, com frameworks baseados em convenção sobre configuração, com até mesmo o EJB se tornando lightweight. Meus professores na universidade falavam que éramos sortudos, pois eles chegaram a programar usando cartões. Que nada! Sortudos são os programadores Java de hoje
Após a palestra do Arun, falou a Alexandra Ham. Para comedores de código como eu, uma palestra indispensável. O detalhe é que nesta palestra não havia uma linha de código sequer. A Alexandra trabalha com vendas (ou algo nessa linha) e eu nem sei se já foi programadora algum dia na vida. E por que essa palestra foi tão importante? Por que nessa palestra pudemos ter a palavra de alguém com grande status na Sun, ops, desculpe, Oracle e pudemos ter a visão do quão importante o Java continua sendo nesta sua casa nova.
Quem trabalha com Java e passou pelo menos cinco minutos lendo a timeline do twitter algum dia nesse ano de 2010 não pôde deixar de se preocupar com o futuro dessa tecnologia que amamos. E algumas coisas não muito boas como a saída do Papa James Gosling da Oracle e alguns eventos que culminaram com a recente saída da Apache do JCP (tenso!) reafirmaram esse sentimento. Ainda por aqueles dias da aquisição, o site JavaPassion passou a ser pago e eu, particularmente, achei muito ruim pois sempre sonhei em ter na vascaína um diploma assinado pelo Sang Shin. E eu ouvi ainda algumas coisas relacionadas ao OpenOffice , mas já não lembro para escrever aqui.
Hoje, tendo a poeira baixado um pouco e sendo possível analisar tudo com mais calma e menos paixão, podemos nos tranquilizar um pouco. É claro que mudanças iriam acontecer. É como quando, em nossa vida pessoal, mudamos de cidade ou empresa. As apreensões, algumas injustas outras subestimadas, sempre estão prontas para nos receber no novo local. Alexandra, entretanto, nos deixou bastante tranquilos. Afinal, por que termos receios de que, como trovejou a boataria, a Oracle vai matar o Java assim como o mundo acabou em 2000 e acabará novamente em 2012? Grande parte dos softwares da Oracle são baseados em Java. Sempre tem algum doido que resolve acordar entediado e tirar o dia para dar um tiro no pé, mas, uma empresa do porte da Oracle, que competiu com a minha empresa na aquisição da Sun, pensaria bastante antes de tomar alguma atitude que a pudesse prejudicar ou frustrar os seus acionistas. É claro, óbvio, que mudanças devem ocorrer. É claro que a gestão deve priorizar mais capitalização do que a gestão anterior, mas, é por isso que foi a Oracle que comprou a Sun e não o contrário.
E, finalmente, o próprio Papa já disse que o Java está em boas mãos. Confira aqui.
Parte do que estou falando está na apresentação dela, que pode ser vista no blog do Arun (endereço acima), principalmente no slide 7. Ela também deixou claro que quer e precisa do apoio da comunidade e que está muito interessada em nosso feedback. Finalmente, ela apresentou o suporte pago do Glassfish, algo que dependendo da aplicação e de seus requisitos de disponibilidade pode ser bastante necessário e vantajoso.

Alexandra talking to the audience
As fotos que o Arun tirou de Fortaleza estão no Picasa dele. Inclusive, tomei a liberdade de colocar aqui algumas em que apareço. Vale a pena conferir as outras.
Pra terminar o post, um pouco de off-topic (mais?). Vocês já visitaram o http://www.hospitaldodavi.com.br e assinaram a petição? Pra quem é do Ceará (e mesmo para quem não é) isso é muito importante. Demora menos do que ler esse post até aqui e pode fazer muito bem.